Testemunhos e retábulos: caixas migrantes, urgência narrativa e espaço andino. Uma leitura de Chungui. Violencia y trazos de memoria de Edilberto Jiménez
DOI:
https://doi.org/10.34096/zama.a12.n12.9616Palavras-chave:
testemunho, retábulo, violência política, migrações, residualResumo
Ao longo do tempo, os retábulos sofreram transformações registradas em parte pela escritura etnográfica arguediana: de serem caixas móveis associadas com motivos religiosos, viagens e vaqueiros mutaram a objetos mercantis e de arte popular ao incorporar o ritual e a cotidianeidade das comunidades andinas durante a modernização da nação. Depois converteram-se em caixas ataúde e caixas de música que retrataram o horror da violência política no Peru recente (Ulfe, 2011). Em particular, me centrarei em Chungui. Violencia y trazos de memoria (2005), de Edilberto Jiménez: ali, o retabuleiro e antropólogo peruano re-atualiza as formas canônicas do retábulo e o depoimento etnográfico combinando letra e imagen, voz y corpo para narrar o indizível no conflito armado. As transformações conceptuais e procedimentais, enquanto tempo que recorda a obra de Guaman Poma, remetem a um espaço andino que é claramente simbólico (Adorno, 1992; Pease, 2008). Neste sentido, proponho pensar este caso como um testemunho residual, migrante e performático.