A segunda pessoa em sessão de naipe de orquestra
DOI:
https://doi.org/10.34096/oidopensante.v9n2.9950Palavras-chave:
Execução expressiva, alinhamento interpessoal, variabilidade, sincronização adaptativa, guia/seguidor.Resumo
Neste trabalho a construção temporal interpessoal é estudada em uma situação espontânea de reinterpretação musical em um ensaio de naipe de orquestra. Três violistas são convocados para montar ao vivo a seção introdutória do 3º movimento de “Mathis der Maler” de Paul Hindemith que cada corda deve interpretar em uníssono. Porém, uma vez concluída a tarefa, os executores resolvem refazer o compasso final correspondente à cadência e fechamento do fragmento, apresentando maior concordância com sua segunda versão. É justamente esta seção do registro que motiva este estudo comparativo de interação entre versões, baseado em uma microanálise da variabilidade dos intervalos de tempo entre os ataques sonoros (ITEA), sincronismo e alinhamento expressivo; uma entrevista subsequente sobre a experiência geral e particular da sincronização de linhas; e uma reinterpretação dos dados na perspetiva da segunda pessoa, considerando em cada caso as noções de líder/seguidor pactuadas entre os participantes. Como emerge dos resultados, a construção temporária unívoca em naipe orquestral sugere uma ação contínua e interdependente de micro-ajustes e compensações momento a momento, de natureza intermodal, incluindo o comportamento flexível, dinâmico e colaborativo do guia, que ativamente participa do ensemble e da recriação musical em comum.
