A composição da experiência na arte musical-holística de Dario Buccino
Resumo
Hoje em dia a música não é mais exclusivamente uma arte performativa: por exemplo, a música eletrônica pode ser completamente produzida por meio da tecnologia, sem ações corporais feitas ao vivo por instrumentistas. Em relação a este paradigma estético, o compositor italiano Dario Buccino (Roma, 1968) faz exatamente o oposto, criando uma música que é até mesmo hiper-performativa, pois ela aumenta ao mais alto grau as exigências relativas à consciência e à intencionalidade livre do intérprete, e minimiza a automaticidade (humana). Para este fim, ele desenvolveu um sistema de notação original, com muitas soluções gráficas ad hoc, onde os símbolos musicais são integrados com indicações sobre a atitude proprioceptiva e as ações físicas do intérprete (frequentemente afins às do teatro experimental, dança e body art), principalmente sobre as experiências subjetivas tidas enquanto toca. Buccino vai mais longe na linha da “música intuitiva” de Karlheinz Stockhausen (1968-1970), dos Maulwerke de Dieter Schnebel (1968-1974), da “musique concrète instrumentale” de Helmut Lachenmann, da extrema demanda de esforço de Brian Ferneyhough, e radicaliza uma abordagem que em vez é típica de outros géneros, onde a forma a todos os níveis surge na composição (frequentemente extemporânea) da relação física singular do intérprete com o instrumento.
