Imaginação histórica, a forma e a experiencia estética das instalações sonoras
Resumo
Este artigo visa refletir sobre o problema da forma dentro de um tipo específico de instalações sonoras e a sua implicação política. Considera-se que uma concepção historicizada da imaginação permite romper o continuum destemporalizado e indeterminado daqueles dispositivos artísticos e reconstruir as relações materiais ali cifradas. Nesse sentido propomos articular a análise empírica de algumas instalações sonoras a partir de um enquadramento teórico baseado na proposta de Jacques Rancière sobre políticas estéticas, focando no debate lyotardiano sobre a arte sublime e na tensão com a proposta adorniana. A arte sublime, segundo François Lyotard, é aquela que torna possível o transbordar da razão pela experiência sensível, caracterizado-se por ser “pura diferença”, uma “matéria imaterial” indeterminada, que na música se encontra no timbre. Porém as propostas de Pierre Schaeffer indicam que na contemporaneidade não é possível tal experiência. Este artigo propõe que é possível recuperar o pensamento formal em instalações sonoras enquanto síntese que opera sobre a razão dos fragmentos produzidos pela imaginação da consciência historicizada que penetra ao interior do “indeterminado”.
