Sobre perspectivismo indígena, sonorismo indígena e o posicionamento audível. Abordagens para uma antropologia auditiva simétrica
Resumo
A presente contribuição tem como objetivo revelar algumas idéias sobre métodos e teorias em etnomusicologia a partir dos conceitos de Eduardo Viveiros de Castros (EVC) na antropologia cultural. Na primeira parte, o foco estará na “metafísica da predação” de EVC e suas três subdivisões: perspectivismo interespecífico, multinaturalismo e alteridade canibal; com atenção
particular ao “perspectivismo” e às diferentes formas de recepções críticas e/ou equívocos desse conceito4. Na segunda parte, será demonstrado como a teoria antropológica de EVC, à primeira
vista não voltada para as sonoridades, ainda assim serve para a compreensão de fenômenos sonoros ao deduzir campos teóricos e metodológicos específicos como parte de uma antropologia auditiva simétrica. Assim, as comunicações trans-específicas entre humanos e não-humanos serão discutidas ao analisarmos os primeiros dados de EVC sobre as canções xamânicas e de guerra
Araweté e, mais tarde, os meus próprios dados sobre canções Pemón e fórmulas mágicas. Esta análise visa revelar como o som, em seu modo formalizado de canção, define a interação entre
humanos e não-humanos por transcender os mundos míticos e não-míticos. Na terceira e última parte, apresentarei como a performance das fórmulas mágicas Pemón contrapõe a idéia de
perspectivismo indígena ao propor o conceito de um sonorismo indígena.
