Colectivismo, sinergias e valor artístico: o espaço das micro-editoras independentes em Portugal no século XXI
Resumo
O propósito deste artigo é o de analisar os valores e práticas de um conjunto de pequenas estruturas independentes de edição no domínio da popular music, que designamos por micro-editoras, surgidas em Portugal num contexto milenar de desagregação da indústria discográfica no seu modelo tradicional. A nossa abordagem contempla quatro dimensões de análise: linha e
política editorial; práticas de distribuição, sinergias com outras estruturas dentro do subcampo da produção musical de pequena escala; e sinergias com os meios de comunicação. Para o efeito
definimos uma amostra de editoras independentes a partir de alguns aspectos comuns, como a sua reduzida dimensão e distribuição, bem como de aspectos distintos entre si como o sejam os
estilos e géneros musicais em que são especializadas. No final concluímos que o espaço de edição independente que corresponde a um subcampo de produção musical de pequena escala (Bourdieu 1996) é caracterizado por importantes sinergias entre as editoras e outras estruturas dentro do mesmo campo bem como com os meios de comunicação especializados em música.
Aspectos comuns entre as editoras não ofuscam a diversidade de estratégias e práticas entre as mesmas. O artigo pretende ser um contributo para o estudo do sector de produção musical
independente no Portugal contemporâneo, sinalizando Portugal no mapa dos estudos de música popular sobre a(s) indústria(s) musicais.
