Os Rio-Deutsche e a construção da campanha germanófila no Brasil durante a Primeira Guerra Mundial

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DOI:

https://doi.org/10.34096/hyg.n8.15989

Palavras-chave:

imigração alemã, Rio-Deutsche, germanofilia, Primeira Guerra Mundial

Resumo

O presente artigo pretende analisar a atuação da comunidade teuto-brasileira do Rio de Janeiro na articulação da narrativa pró-Alemanha ao longo da Primeira Guerra Mundial. A então capital federal abrigava a mais antiga comunidade teuto-brasileira em zona urbana, formada a partir de 1808. Detentora de alto poder econômico, seus membros, conhecidos como Rio-Deutsche, integravam as elites culturais e políticas da República. Quando deflagrada a beligerância, fizeram uso destas redes de contato visando encampar iniciativas para a conquista da opinião pública em direção aos Impérios Centrais. Propõe-se, assim, identificar e examinar brevemente os principais representantes dos Rio-Deutsche nos espaços políticos e culturais, seus interlocutores e estratégias para conquistarem a simpatia da sociedade brasileira para a campanha germânica ao longo da Grande Guerra, compreendida como uma guerra global.

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Biografia do Autor

  • Livia Claro Pires, Investigadora independiente, Brasil

    Livia Claro Pires é Doutoranda no Programa de História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde desenvolve o projeto Invencível Alemanha: os discursos e ações germanófilas entre a intelectualidade brasileira durante a Primeira Guerra Mundial. Mestre em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, grau obtido no ano de 2013 com a dissertação Intelectuais nas trincheiras: a Liga Brasileira pelos Aliados e o debate sobre a Primeira Guerra Mundial. A pesquisa deu origem ao livro Intelectuais nas trincheiras, lançado em 2019. Pesquisadora de Primeira Guerra Mundial, seus impactos e compreensões no Brasil

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Publicado

2025-05-14

Edição

Seção

Dossier

Como Citar

Os Rio-Deutsche e a construção da campanha germanófila no Brasil durante a Primeira Guerra Mundial. (2025). Historia & Guerra, 8, 31-51. https://doi.org/10.34096/hyg.n8.15989