Exercício didático de regionalização e a Teoria do Código de Legitimação (LCT): análise de um instrumento de ensino e pesquisa
DOI:
https://doi.org/10.34096/ps.n13.15562Palavras-chave:
ENSINO DE GEOGRAFIA, TEORIA DO CÓDIGO DE LEGITIMAÇÃO, EXERCÍCIO DE REGIONALIZAÇÃOResumo
Partindo da premissa de que o exercício de regionalização pode se constituir em um potente ponto de partida para tecer análises que permitam criar perguntas de cunho geográfico, o presente estudo objetiva apresentar uma ferramenta que permita acompanhar e avaliar os movimentos intelectuais empregados por sujeitos aprendizes num contexto de ensino. Para perseguir esse objetivo, recorremos à Teoria dos Códigos de Legitimação (TCL) proposta por Maton (2014), especificamente no que diz respeito à dimensão semântica. Apresentam-se, portanto, os constructos de densidade e gravidade semântica para a criação de um modelo aplicado ao exercício de regionalização. Densidade e gravidade semântica são, grosso modo, parâmetros para se mensurar a qualidade da apropriação de conceitos científicos (densidade) e as possibilidades de generalização desses conceitos (gravidade). Depois da criação de um quadro de gravidade semântica associado a ações específicas da regionalização, aplicou-se uma atividade a estudantes da 1ª série do Ensino Médio. Ao representar um espaço utilizando a metodologia de regionalização, os estudantes foram instrumentalizados para pensar em realidades que não estão coladas ao seu contexto imediato. Além disso, resgatou-se um elemento epistemológico no ensino de Geografia. Concluiu-se que a coerência funcional da região lhe dá um caráter científico na medida em que pode ser instrumento de leitura e análise da realidade em diferentes recortes espaciais, mobilizando diferentes níveis de gravidade semântica. Isso possibilita uma leitura mais rica dos espaços e o desenvolvimento de perspectivas investigativas em situações de ensino.
Downloads
Referências
Bernstein, B. (2001) La estructura del discurso pedagógico. Clases, códigos y control (Vol. IV), (4a ed.) Madrid, España: Morata.
Bourdieu, Pierre & WACQUANT, Loïc.,(1992) An invitation to reflexive sociology. Chicago/Cambridge, University of Chicago Press/ Polity Press.
Chevallard, Y. (2005) La transposición didáctica: del saber sabio al saber enseñado. (3a ed.) Buenos Aires, Argentina: Aique.
Cruz, D M; Melilo, R A M (2020) O uso da categoria analítica região como instrumento para compreensão de situações geográficas: algumas experiências com estudantes da educação básica Revista Pesquisar, Florianópolis, v. 7, n. 12, p. 39-51, mai./nov. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/pesquisar/index Acessado em 28/07/2023
Horta, C. A. da C. (2013). Escala espacial e Geografia: pela transposição da região. Revista Geografias, 9(2), 87–103. https://doi.org/10.35699/2237-549X.13363
Lencioni, S. (1999) Região e geografia. São Paulo: Edusp.
Lima, Denise M. de Oliveira. (2005) Uma abordagem sociológica para a constituição, legitimação e autonomização da psicanálise como um campo. In: TEIXEIRA, A. (org). Especificidades da ética da psicanálise. Salvador: Associação Científica Campo Psicanalítico.
Maton, K., Hood, S. and Shay, S. (eds) (2014). Legitimation Code Theory: Building knowledge about knowledge-building. Knowledge-building: Educational studies in Legitimation Code Theory. London: Routledge.
Maton, K., 24 (2013) Making semantic waves: A key to cumulative knowledge-building. Linguistics and Education 8–22.
Maton, K. (2019). Para pensar como Bourdieu: completando a “Revolução Mental” com a Teoria dos Códigos de Legitimação”. InterMeio: Revista Do Programa de Pós-Graduação em Educação - UFMS, 25(49). Recuperado de https://desafioonline.ufms.br/index.php/intm/article/view/8948.
Moreira, Ruy. (2007) Da região à rede e ao lugar: a nova realidade e o novo olhar geográfico sobre o mundo. Etc..., espaço, tempo e crítica. N° 1(3), VOL. 1, 1° de junho de 2007, ISSN 1981-3732.
Santos, B. F.; Mortimer, E. F. (2019) Ondas semânticas e a dimensão epistêmica do discurso na sala de aula de química. Investigações em Ensino de Ciências, v. 24, n. 1, p. 62-80.
Santos, B. F.; Silva Júnior, A. J.; Mortimer, E. F. (2020) Um estudo exploratório sobre a densidade semântica no discurso de sala de aula de química. In: 20° Encontro Nacional de Ensino de Química (ENEQ), Pernambuco. Anais eletrônicos do 20° Encontro Nacional de Ensino de Química (ENEQ). Disponível em:< https://www.researchgate.net/publication/353018346_Um_estudo_exploratorio_sobre_a_densid ade_semantica_no_discurso_de_sala_de_aula_de_quimica>. Acesso em: 05 jan. 2022.
Santos, M. (1997) A natureza do espaço: técnica e tempo; razão e emoção. São Paulo: Hucitec.
Santos, M. (2008). O lugar: encontrando o futuro. RUA: Revista De Urbanismo E Arquitetura, 4(1). Recuperado de https://periodicos.ufba.br/index.php/rua/article/view/3113
Shulman, L. (1986). Those who understand: knowledge growth in teaching. Educational Research, 15(2), 4-14.
